O ministério da ajudadora do pastor é regado de aflições, frustrações e até medo, mas também regado de bênçãos sem medidas, sacudidas e transbordantes

É absolutamente necessário que se use a Criação como ponto de partida para que reflitamos sobre o  ministério da auxiliadora do pastor.

No texto de Gn 2: 4-15, apalavra de Deus resume com beleza inigualável a origem de tudo o que foi criado e mostra, por fim, a posição que o homem ocupou e a responsabilidade que adquiriu com relação à criação. Neste período da história bíblica, o homem aparece guardando o jardim, falando com Deus e tendo domínio sobre a criação. Ele ouvia a voz do Deus criador na virada do dia e o rei Davi ainda diz que Deus tratava o homem com glória e  honra como se fosse um rei (Sl 8:5-8).

Tudo estava em harmonia, mas Adão sentia falta de alguém que lhe completasse para ajudá-lo a realizar com responsabilidade as atribuições dadas por Deus.  Foi então que Deus disse: “Não é bom que o homem viva sozinho. Vou fazer para ele alguém que o ajude como se fosse a sua outra metade” (Gn.2:18 – NTLH).

A ordem da Criação existe e não pode ser mudada. O apóstolo Paulo, na carta a Timóteo, instruindo acerca dos deveres das mulheres cristãs, nos lembra que “ primeiro foi formado Adão, depois Eva” (I Tm 2: 13). Deus a formou por causa dele, trazendo-a para ajudá-lo, porque sem ela, a missão dada ao homem não seria completa. A mulher foi criada para realizar algo proposto no coração do próprio Deus e a sua criação é descrita como algo de rara beleza. Quando  entregue ao homem, ele poeticamente recitou: “Agora sim! Esta é carne da  minha carne e ossos dos meus ossos; esta será chamada  de “mulher’, porque Deus a tirou do homem” (Gn 2:23).

Vejamos a forma singular com que a mulher foi criada. Além de ser formada do homem, por causa dele, para ajudá-lo na sua missão, ela foi especialmente dada a ele por Deus  (Gn 2: 22). Agora seres interdependentes com ministérios a serem desenvolvidos. O texto bíblico declara em Gn 1: 27-28 que Deus os abençoou e disse: “frutificai, multiplicai, enchei a terra e a dominai”.

Fica claro que um precisava do outro. A mulher foi capacitada com o dom da maternidade e Adão compreende a dimensão da missão de sua mulher e então a chamou de Eva , porquanto seria a mãe de todos os viventes (Gn 3:20). Ao analisarmos este momento da Criação, observamos em Gn 1:27 que a imagem de Deus está presente na mulher do mesmo modo que no homem. Homem e mulher foram nivelados na sua percepção da grandiosidade do soberano, na sua necessidade de lealdade e no seu sentimento de moralidade e dignidade.

Já no episódio da queda do homem, vemos que a ajudadora tomou uma decisão sem consultar o líder do lar, sem discernir que aquela decisão teria efeito muito mais significativo e abrangente. Uma decisão espiritual que interferiu no relacionamento entre o homem e Deus. Pela graça e misericórdia do Pai, da mesma forma que por um homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens  para a justificação da vida.

A tarefa da ajudadora, quando não compartilhada de modo correto, gera inúmeros momentos de tristezas e frustrações e pode gerar consequências sem tamanho. A mulher da Criação perdeu a sua autoridade e pelo Deus criador foi dito: “o teu desejo será para o teu marido e ele te dominará”.  Dá-nos  um certo calafrio estas palavras e por um momento, um espírito de insensatez,  pode permear nossos pensamentos feministas. Mas o que Deus fez foi nos proteger das armadilhas de Satanás por causa da sensibilidade e fragilidade feminina.

Em nossos dias, o ministério da auxiliadora do pastor é regado de aflições, frustrações e até medo, mas também regado de bênçãos sem medidas, sacudidas e transbordantes vindas do trono da graça. Deus nos capacita, a nós, mulheres que fazem parte deste ministério, nos complementa com o direcionamento do Espírito Santo e quando nos colocamos para ajudar nosso esposo em seu ministério, o poder do alto vem.

Não nos esqueçamos que, quando Deus chamou Moisés, ele disse: Não sei falar (Ex 4:10) e quando chamou Jeremias, este disse: Sou muito jovem (Je. 1:6).  Mas Deus respondeu: Não temas! A palavra de Deus nos ensina “que o  perfeito amor lança fora todo o medo” (I Jo 4:18).  Voltemos, portanto, ao amor, ouçamos o amor e permitamos ser comovidas pelo amor a Deus.

O poder do Espírito Santo é o poder para viver com o nosso marido o caminho da cruz, ajudá-lo a fazer o que Jesus fez e a seguir juntos a estrada que Jesus trilhou.

Quando Deus nos separou para sermos companheiras idôneas, a adjutora que estaria como diante do marido, ele já tinha nos separado para sermos esposas de ministeriais porque sabia que, em nosso coração, no caminho da cruz, ainda conseguiríamos vislumbrar flores entre espinhos, pedras para ornamentar o nosso jardim, melodias dos pássaros nos consolando, água limpa saindo da fonte, calor do espírito de Deus sobre as nossas cabeças e, por fim, a consciência tranquila pela tarefa desempenhada.

Parafraseando as palavras do apóstolo Pauloem II Tim4: 5, temos: “Mas tu , mulher de pastor, sê sóbria, sofre as aflições do caminho da cruz junto com teu marido, faze a obra dada a ti como adjutora, cumpre o teu ministério”.  Alegremo-nos com as palavras descritas em Isaías 43: 1-3 e Josué 1:9.

Mulheres, esposas de pastores, presbíteros, missionários e obreiros, auxiliemos nossos maridos a tirar do inferno vidas para o Reino de Deus. Afinal, somos ou não somos as companheiras dada por Deus com esta missão?  Deus ainda nos diz: “melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho, porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro” (Ec 4: 9-12).  Faça seu marido feliz, ajude-o no seu ministério e o Espírito do Senhor te recompensará. Que Deus abençoe nosso ministério e que todos os dias haja cura e restauração para a glória de Deus.

Dsa. Zildeli. Ferreira do Carmo Del Pozzo congrega na IAPem Vila Kellenem Campo Grande (MS).

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