Seja pregando, aconselhando, orando, jejuando, o ministério pastoral segue o que Jesus fez e ensinou

“Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Marcos 8:34).

Essas palavras de Cristo soam em nosso ouvido, retumbam em nosso coração e permeiam nossa mente como um estampido de medo, temor e, por fim,  alegria imensurável.

O ministério de Cristo foi de uma singularidade sem igual, sem modismos e abrangia apenas: a palavra, a oração, a amizade, os sacramentos e a liderança.

Desde sua infância, Jesus compreendeu o caminho da cruz e em todas as ocasiões podemos notar o direcionamento deste caminho para o seu povo.  No livro “A Cruz de Cristo”, de John Stott, o escritor descreve um quadro de Holman Hunt, líder da Irmandade Rafaelita, intitulado “A sombra da morte”, no qual o pintor representou o interior da carpintaria de Nazaré. “Jesus, nu até a cintura, está em pé ao lado de um cavalete de madeira sobre o qual colocou a serra. Seus olhos erguidos ao céu, e seu olhar é de dor ou de êxtase, ou de ambas as coisas. Seus braços também estão estendidos acima da cabeça. O sol da tarde, entrando pela porta aberta, lança na parede atrás dele uma sombra negra em forma de cruz. A prateleira de ferramentas tem a aparência de uma trava horizontal sobre a qual suas mãos foram crucificadas. As próprias ferramentas lembram os fatídicos prego e martelo. Ao lado esquerdo, uma mulher está ajoelhada entre as aspas de madeira. Suas mãos descansam no baú em que estão guardados as ricas dádivas dos magos. Não podemos ver a face da mulher, pois ela se encontra virada. Mas sabemos que é Maria. Ela parece sobressaltar-se com a sombra em forma de cruz que seu filho lança na parede”.

O pintor conseguiu expressar na tela o retrato do jovem de Nazaré e nós, sem vermos o quadro, conseguimos visualizar na precisão dos traços a expressão do jovem carpinteiro e de sua mãe e ainda vermos a figura em forma de cruz.

No seu ministério, Jesus não pregava sobre si, mas sobre Deus. Na sua vida inteira levava a imagem perfeita do próprio Deus.

Jesus fez uso da Palavra para expressar o amor do Pai; também orou pelos enfermos, tratou dos caídos, dos rejeitados, dos temerosos, dos enlutados, dos pecadores, dos pobres, dos desesperançados, dos corruptos, compreendeu as mulheres e os vizinhos, libertou os cativos e falou com os gentios e líderes religiosos.  Jesus chorou pelos amigos, cumpriu os sacramentos e nos deixou o exemplo de abnegação e, de forma simples, mostrou como um verdadeiro líder pontua sua vida.

A vida do mestre é a história de Deus e do seu imenso amor e, a partir do momento que ouvimos e cremos na história de Jesus, Deus chega junto a nós.

O objetivo de todo discípulo é seguir seu mestre. O pastor tem um ministério privilegiado, afinal de contas, seguir a Jesus é fazer o que ele fez.

O trabalho do pastor se parece muito com o trabalho de Cristo.  Quando o pastor chega a um lar para visitar, a família sabe que algo de Deus está acontecendo. Escutar sobre suas alegrias e tristezas, seus projetos e dilemas, poderíamos até pensar que isso não é tão importante, mas é isso que Deus faz todos os dias conosco: nos escuta.  Muitas vezes o desabafo para o pastor é como se estivessem falando com o próprio Cristo. A oração pastoral é preciosa, pois é a certeza de que os pedidos estão sendo entregue nas mãos do próprio Deus.

Os pastores gastam grande parte de sua vida fazendo o que Jesus fez. Pregam a Palavra, escutam, aconselham, oram, choram, jejuam e proclamam as Boas Novas.  Saber que foram feitos por Deus para serem pastores é um privilégio. Viver a vida fazendo o que Jesus fez é singular, mas, é uma responsabilidade sem medida, uma vez que tem que aprender a ouvir a Bíblia e também ouvir o seu semelhante.

Andar como Jesus andou, viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentia é a primícia para um ministério pastoral promissor. A escolha de seguir o caminho da cruz é a melhor escolha!

Saber compreender as alegrias, as angústias e o sofrimento do nosso marido pastor é uma das formas de participarmos do seu ministério.  No Evangelho de Lucas, capítulo 4. 18-19, aBíblia nos ensina  que “ o Espírito do Senhor está sobre mim (o pastor),  porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres, ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”.

Diante desta passagem, posso ver a figura da cruz refletida na vida do meu marido e de todo o pastor que aceitou o chamado do mestre. No caminho da cruz se procura refletir a imagem do próprio Deus amoroso e justo, tendo sempre a consciência que também é uma vida de sacrifício.

Caro pastor, a palavra do Senhor nos ensina que “quem recebe vocês, está recebendo  a Cristo e quem recebe  a Cristo, está recebendo aquele que o enviou”  (Mt 10:40).

Esposas de pastores, precisamos compreender a profundidade desta palavra. O trabalho de nosso marido é a extensão do trabalho do próprio Cristo anunciando sobre o Deus verdadeiro. Eles foram chamados neste período da história para proclamarem as boas novas, então, participemos deste chamado e contribuamos para que o ministério do nosso esposo seja frutífero e abençoado.

Dsa. Zildeli F. Carmo Del Pozzo congrega na IAPem Vila Kellen,em Campo Grande(MS).

 

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